Drama americano: Separados na Fronteira

Afastados por quase mil e quinhentos quilômetros, mulher brasileira e seu filho contam seu dia-a-dia após entrarem nos Estados Unidos pela fronteira do México.

 

Acompanhe o caso na íntegra:

Os dois saíram juntos de Belo Horizonte em 29 de maio, em direção à Cidade do México. De lá, viajaram 24 horas de ônibus até a fronteira. Wesliane Souza Oliveira, 38 anos, pagou US$ 2.000 pela travessia a um mineiro que vive no México e fez um preço mais baixo porque a conhecia.

A brasileira havia tentado entrar nos EUA em 2006, sem o filho, mas foi deportada da fronteira. Desta vez, ela esperava ter a mesma experiência de milhares de outros imigrantes que cruzaram com menores nos últimos anos, usando uma tática conhecida como “cai cai”: entrar por uma área não autorizada e entregar-se às autoridades. Sua expectativa era ficar detida com o filho de dois a três dias e sair em liberdade condicional.

 

Começo do pesadelo:

João Victor, como é conhecido, vivenciou nos últimos dias o drama de passar o primeiro de seus 14º aniversários distante de sua genitora, dentro de um centro onde outros 1.400 menores imigrantes na cidade do Texas, onde era o único a falar a língua portuguesa.

Bastante ansioso e esperançoso, João contou que seus colegas latinos nunca o chamavam pelo nome, mas sim, por “brasileiro”. Essa informação foi repassada pela mãe, a mineira Wesliane, que foi libertada na última quarta-feira, após vinte e cinco dias detida.

O que deixou a história mais tensa foi o fato de, nos primeiros dez dias, a mãe de João Victor não ter qualquer tipo de informação a respeito do filho. Seu cabelo chegou a cair, não sentia fome e seu apetite alimentar diminuiu.

Em relato por telefone, o jovem falou de sua alimentação e dos momentos de lazer que lhes é proporcionado dentro do centro.

João Victor está no extremo no Texas, em Brownsville, que fica a mais de 1.000 quilômetros de El Paso. “Durante o dia eu faço várias coisas, mas na hora de dormir eu perco o sono e fico pensando em tudo.”

Quando a mãe perguntou se ele queria ficar nos EUA ou voltar ao Brasil, ele respondeu sem hesitação: “Claro que eu quero ficar aqui. Morar nos Estados Unidos é o meu maior sonho”.

Em depoimento a equipe do Brazilian Globe, Wesliane se mostrou abalada e relatou como sua situação que, além de difícil, foi bastante complicada. Nos informou, também, que ao todo eram 2.300 crianças, dentre elas 51 crianças brasileiras. “A última vez que eu vi o meu filho foi no dia 03 de junho mas, graças a Deus, ele estará na cidade de Boston às 22h15“, concluiu.

Ao final, Wesliane fez um apelo e pediu que as mães atentassem as leis do país para que não aconteça o mesmo que aconteceu com ela, evitando, assim, que provoquem esse transtorno de danos irreparáveis.